segunda-feira, 14 de junho de 2010


Pois aqui está a minha vida.
Pronta para ser usada.
Vida que não guarda
nem se esquiva, assustada.
Vida sempre a serviço
da vida.
Para servir ao que vale
a pena e o preço do amor


Ainda que o gesto me doa,
não encolho a mão: avanço
levando um ramo de sol.
Mesmo enrolada de pó,
dentro da noite mais fria,
a vida que vai comigo
é fogo:
está sempre acesa.


Vem da terra dos barrancos
o jeito doce e violento
da minha vida: esse gosto
da água negra transparente.


A vida vai no meu peito,
mas é quem vai me levando:
tição ardente velando,
girassol na escuridão.


Carrego um grito que cresce
Cada vez mais na garganta,
cravando seu travo triste
na verdade do meu canto.


Canto molhado e barrento
de menino do Amazonas
que viu a vida crescer
nos centro da terra firme.
Que sabe a vinda da chuva
pelo estremecer dos verdes
e sabe ler os recados
que chegam na asa do vento.
Mas sabe também o tempo
da febre e o gosto da fome.


Nas águas da minha infância
perdi o medo entre os rebojos.
Por isso avanço cantando
Estou no centro do rio
estou no meio da praça.
Piso firme no meu chão
sei que estou no meu lugar,
como a panela no fogo
e a estrela na escuridão.


O que passou não conta ?, indagarão
as bocas desprovidas.
Não deixa de valer nunca.
que passou ensina
com sua garra e seu mel.


Por isso é que agora vou assim
no meu caminho. Publicamente andando
Não, não tenho caminho novo.
O que tenho de novo
é o jeito de caminhar.
Aprendi
o que o caminho me ensinou)
a caminhar cantando
como convém
a mim
e aos vão comigo.
Pois já não vou mais sozinho.


Aqui tenho a minha vida:
feita à imagem do menino
que continua varando
os campos gerais
e que reparte o seu canto
como o seu avô
repartia o cacau
e fazia da colheita
uma ilha do bom socorro.


Feita à imagem do menino
mas a semelhança do homem:
com tudo que ele tem de primavera
de valente esperança e rebeldia.


Vida, casa encantada,
onde eu moro e mora em mim,
te quero assim verdadeira
cheirando a manga e jasmim.
Que me sejas deslumbrada
como ternura de moça
rolando sobre o capim.


Vida, toalha limpa
vida posta na mesa,
vida brasa vigilante
vida pedra e espuma
alçapão de amapolas,
sol dentro do mar,
estrume e rosa do amor:
a vida.


Há que merecê-la
Se minha vida continuar
Desejo viver um grande amor
Em toda a força e esplendor
Desejo uma forte paixão
Que rache meu pobre coração
Sim eu quero
Um amor bastante gostoso
No meu corpo desejoso
Quero viver um amor cheio de brilho
Como se no céu as estrelas brilham
Um amor mágico, repleto de magia
Que preencha todo o meu dia a dia
Sim
Eu desejo
Um amor cheio de momentos
Encantados, ternos e perfeitos
Feito de loucuras delirantes
Que me roubem de mim os tormentos
Um amor cheio de beijos ternurentos
De carícias, carinho, respeito e paixão
Que faça explodir todo o meu ser todo o meu coração
Que me ilumine o meu peito
Sim... sim eu quero um amor
Mas um amor de amar
De apenas existir num simples olhar
De rir.. rir muito e nunca chorar
E de mãos dadas caminhar
Eu quero ter um amor
Sentir-me apaixonada
A alma feliz e descansada
Eu simplesmente eu quero um amor
Forte quente completo apaixonado
De viver em plena felicidade
Sim eu quero e desejo
Numa palavra simples descrever
Um amor real e de verdade